Neu

Moçambique. O Regresso dos Soldados

Artikel-Nr.: CJ11

Nicht auf Lager

17,95 €
17,95
Preis inkl. MwSt., zzgl. Versand
Versandgewicht: 0,25 kg


É um do Maputo ao Rovuma, melhor dizendo, do Maputo a Mueda, então palco-mor de guerra. Nele se revive o corolário da nostalgia desses antigos soldados, hoje (quase)reformados, na sua esmagadora maioria regressando pela primeira vez onde combateram na juventude. A resolução de algo que faltava, o uma vez mais, o reviver onde tiveram o medo. Talvez por isso mesmo a longa urgência desta mais uma vez, repassar onde se passara amarfanhado. Mas onde também ganharam afecto à terra, às pessoas. Essas contradições que fazem rica a vida. Para estes quase-velhos é, nota-se, uma necessidade o regresso, a visita. Uma última vez, explicitamente para muitos, implicitamente para quase todos. Mas o livro é também a memória das impressões de então cruzada com as de hoje, tornando-o assim pequeno documento para entender a visão que os soldados tinham, e iam criando, do Moçambique onde guerreavam. E de como essa imagem se foi transformando até ao hoje. Torna-o também interessante uma prosa seca, com a vantagem de procurar fugir a moralizações, saudosismos, exotismos, turistismos. Vai vendo e ouvindo os velhos soldados, transmite-nos o que eles viram e vêm aqui. Depois tem piada encontrar velhos conhecidos por entre o livro, o padre Lopes na ilha, ainda a falar da maldita (e horrorosa) estátua do Camões, o Simões (que se irritaria se lesse o livro), o lendário Santos de Mueda, símbolo do tasqueiro português, que vim a apanhar no Encontro e na Tasca de Pemba, agora algures em Nacala, entre outros. E assuntos que fazem a história actual, como o omnipresente boato do pagamento de pensões aos ex-soldados do exército português, coisa que durou para aí uma década e que exigiria um livro, sobre expectativas criadas e também sobre a extraordinária capacidade de reprodução de boatos. Que, no fim, é um bocado superficial sobre Moçambique? Reproduzindo acriticamente algumas ideias-feitas, "a saudade de Portugal", a excelência do português sobre os dialectos? É, mas é o registo de uma viagem, uma romaria de saudade que é também catarse. Não pretende ser mais nada. Se não se for mais exigente lê-se com muito prazer. E toma-se até como fonte. Confesso que logo de início torci o nariz, o pressuposto logo ali espalhado, quase me levou a largar o livro. Apenas a gargalhada me levou a continuar, e ainda bem. Narra R. Marques (p. 42) que ele e o grupo foram abordados em busca de "ajuda": ""Lembram-se de mim?", pergunta o sujeito, de bolsa na mão. "Não", respondem os portugueses. Compreende-se, afinal está à civil. Mas o homem trabalha no aeroporto, no controlo alfandegário e, conta, "facilitou a entrada do grupo no país" há escassas quatro horas. Agora saíu do serviço. Mas não se esqueceu. "Será que me pode dar uma ajuda?". Não é corrupção, nem é esmola..." O que me ri, apanharam com esta conhecidissima personagem de Maputo, sempre bem-posto, simpático, esfuziante, a apanhar os portugueses saídos do avião, sempre com a mesma história. E tantos são os anos passados que bom rendimento deve ter, ali em "ajudas" dadas pelos incautos. Folclore puro e simples, o homem devia até ser considerado atracção turística. Tomaram-no a sério, surge como imagem do estado do país. Não é, é um tipo do conto do vigário, universal. Pacífico, diga-se. Criticável? Nada, Marques e os outros passaram e viram. Lido sem criticismos absurdos o livro é bem interessante. E, particularmente, para os velhos soldados. Há outra coisa não tanto sobre o livro mas sobre estas viagens que se vão fazendo usuais. Aqui narra-se uma viagem em finais de 2003, por altura das eleições municipais. E faz-me lembrar o certo frisson que, diz-se, existiu no ano seguinte por alturas das eleições presidenciais e legislativas. A causa foi exactamente a série de viagens de velhos soldados nessa época. Talvez seja mero boato mas então constou que a chegada de vários grupos de excursionistas causou a impressão de movimento militar, porventura apoiante de um dos partidos em compita, e que tal teria até levantado problemas na atribuição de vistos. Repito, talvez seja apenas boato (outro), mas significa também o peso simbólico que estas viagens têm ainda. Em ambos os lados de então. Se tiver sido verdade bastaria ler um livro assim, ver as fotos, para o desengano. Memórias vivas. E, surpreendentemente (?), fraternais. Apesar da guerra que fizeram? Por causa da guerra que fizeram.

Zu diesem Produkt empfehlen wir

Baía dos Tigres
21,05 *
Versandgewicht: 0,56 kg
*
Preise inkl. MwSt., zzgl. Versand

Diese Kategorie durchsuchen: Comunicação - Jornalismo